Publicada: 06/07/2008
Respondendo às críticas do ex-prefeito Júlio Santana (DEM), o atual prefeito de Porto da Folha, Manoel de Rosinha (PT), negou que sua administração seja uma vergonha para o município, como afirmou o adversário político. “Quero saber se o que envergonha Porto da Folha é a nossa honestidade ou a corrupção daquele que se permeou durante sete anos e três meses na administração municipal. Manoel de Rosinha é o mesmo desde quando entrou na prefeitura. Não comprei casa, mansão, trio elétrico ou apartamentos. Meu patrimônio é uma esposa, cinco filhos e uma casa financiada pela Caixa Econômica, pois sou funcionário público e usei meu FGTS para fazer o financiamento. O que aumentou no meu patrimônio foi uma nora e uma netinha que Deus me deu”, dispara o petista.
Segundo Manoel de Rosinha, não procedem as críticas de Júlio Santana à política municipal de saúde. “O hospital não está fechado, mas está sendo reformado, readequado e adquirido novos equipamentos, que irá transformá-lo na referência do sertão”, diz.
De acordo com o prefeito, quando ele assumiu em janeiro de 2005 foi que encontrou o hospital fechado. “O próprio Júlio, quando renunciou ao mandato no dia 13 de abril de 2004, deixou o hospital totalmente sucateado para o seu vice. Não existiam ambulância, médicos e muito menos medicamentos”, acusa.
Em relação à falta de medicamentos citada pelo opositor, o prefeito disse que Porto da Folha é a única cidade do Estado com farmácia 24 horas, que dispõe de uma lista com 42 medicamentos básicos.
Educação
Manoel de Rosinha respondeu também as críticas feitas pelo ex-prefeito à educação do município. O petista disse que em janeiro de 2005, a rede tinha cerca de seis mil alunos no ensino fundamental, e que hoje tem exatamente 10 mil alunos. “Melhoramos a qualidade do ensino, valorizamos o salário do professor e incrementamos a merenda escolar. O mel, por exemplo, foi acrescentado como forma de complemento para corrigir deficiências nutricionais das crianças. É um programa em parceria com a Conab para garantir também mais renda para os agricultores familiares”, relata.
Manoel de Rosinha disse que entre ampliações e reformas já foram beneficiadas 21 escolas municipais. “Na época de Júlio era muito dinheiro, mas o era zero. O dinheiro muito saia pelo ralo da corrupção da construtora Portofolhense, que era do genro dele”, acusa.
Sobre a falta de transparência apontada pelo adversário, o prefeito disse que Júlio Santana precisa entender como o Tribunal de Contas trabalha hoje. “O TCE trabalha com o Sisap. A gente faz todo o balanço mensal, que é encaminhado para a Câmara, para o TCE e outro fica na prefeitura à disposição de qualquer cidadão. Ele está tão desinformado que hoje não se encaminha mais aquelas pastas que ele, como prefeito, nunca mandou para a Câmara”, garante.
Manoel de Rosinha negou que respondesse a ação civil pública por improbidade administrativa. Segundo o prefeito, a única ação por parte da Promotoria de Justiça foi em relação ao concurso público. “Fizemos o concurso de forma lícita e honesta, sendo que das 696 vagas, já convocamos mais de 400, coisa que na época dele não aconteceu, pois o concurso que ele fez foi só para os parentes e o grupo dele”, lembra.
“Não tenho nenhum processo no TCE. Júlio Santana quem tem mais de 80 processos. De todas as denúncias que fiz, 99% foram acatadas. O Tribunal de Contas da União já o condenou a devolver mais de R$ 900 mil do Fundeb, e o Ministério da Saúde mais de R$ 600 mil. Tem processo para tudo o que é lado”, completa.
Manoel de Rosinha rebateu a existência de obras mal feitas como apontou o democrata. Ele fez um desafio ao adversário. “Qual obra que marcou a administração Júlio Santana? Foram essas reformas de escolas, de praça, nas quais o dinheiro serviu de lavagem para a construtora do genro? Mais de R$ 1 milhão que até hoje ainda rola? Dinheiro desviado através da construtora?”, questiona o prefeito.
Contas de Júlio
Manoel de Rosinha também fez comentários sobre um processo contra Júlio Santana no TCE. “Ele disse que seu contador provou que ele aplicou mais de 60% do Fundeb, mas isso é mentira, eu acompanhei tudo. Ele nunca aplicou mais de 25% na época do Fundef. É tanto que a folha, quando eu assumi, era de pouco mais de 100 mil reais, e hoje passa dos R$ 400 mil porque nós estamos aplicando corretamente”, compara.
Com relação às contas que foram reprovadas, Manoel de Rosinha garante que dos sete anos e três meses da administração Júlio Santana, três já foram reprovadas pelo TCE e pela Câmara de Vereadores. O prefeito disse que não houve nenhum acordo para o presidente da Câmara não colocar o parecer do Tribunal em votação, como disse Júlio. “Ele quis aplicar, mas não conseguiu”, acusa.
O prefeito avalia que registrar a candidatura é um direito do ex-prefeito, mas avisa que vai haver recurso contra o registro, “porque não é possível que num estado, num país onde o prefeito é condenado a devolver dinheiro e tem as contas reprovadas, ele possa vir a ser candidato novamente. Pelo amor de Deus, isso é estimular o político a fazer práticas irregulares, a fazer malversação do dinheiro público.”
(Entrevista publicada no Jornal da Cidade online)